quarta-feira, 23 de junho de 2010
domingo, 30 de agosto de 2009
Gift.
"Eduarda, durante o tempo que você esteve aqui conosco, deixou com certeza suas marcas.
Não podemos deixar de lembrar da pessoa que você se tornou e rir, entenda, daquela que você era, quando comparada com a que é atualmente.
Incrivelmente, você deixou para trás aquela obcessão pelas notas máximas e o perfeccionismo irritante, e ficou apenas com o desejo de fazer as coisas da melhor maneira o possível. Dando sempre o melhor de si, mas sem exigir de si mesma e dos que estavam ao seu redor aquilo que era quase impossível: o ser perfeito. As pessoas possuem defeitos e afinal de contas, isso é o que as torna quem elas são. Aprendemos a lidar com seus defeitos e você com os nossos.
Houveram outras coisas que aprendemos também, como rir da desgraça alheia. Aprendemos a entender a doença da Thayssa e aceitar que ela era ninfomaníaca. Nós a entendemos, e conseguimos ainda dar boas risadas das histórias pervertidas que ela contava. E descobrimos, ao final, qual era a rotina escolar dela: presença apenas na sexta de tarde.
Outra coisa com a qual convivemos desde o primeiro ano foi a novidade de vida em que vivia a Isis. Como sempre escutavamos dela novos assuntos, inéditos, acabamos entendendo e dando boas risadas ao contar quantas vezes por dia ela contava uma mesma coisa. E agora, embora você não esteja mais conosco no cotidiano, lamento informar que ela tem um novo assunto: Justiça Federal. É só o que escutamos dela o tempo todo. Deseje-nos sorte!
Aprendemos a respeitar o tempo de hibernação profunda ao qual estou submissa. É regra fundamental do hospício CPII: Não acorde a Jayne. Além disso, você, com toda certezz, após anos de convivência entendeu que quando eu estivesse falando, era só diminuir o volume da minha voz mentalmente, e assim, eu não pareceria tão escandalosa.
Quer saber do que mais você aprendeu? A não discordar da Camilla em hipótese alguma. Obviamente, ela está certa. Se ela ler isso, é capaz de me matar. Outra coisa que você desvendou a respeito dela, aliás, todas nós: ela adora um fotógrafo! E se ele for um moreno daqueles, melhor ainda. Afinal, vocês sabem o gosto uma da outra. Passaram uma noite inteirinha pra descobrir isso no Naval.
Quanto a Melissa, você aprendeu a ignorar as vezes que ela batia o pé e mais tarde, aprendeu a ignorar o desespero dela com as notas.
Encontramos um grande homem. Ou um nem tanto, mas com certeza, uma pessoa bastante estilosa. Nosso dignissimo Yan. A Amanda, cujo nome nós descobrimos depois de bastante tempo contando de quando ela copmeçou a andar conosco. A outra Amanda, a famosa aluna sem rosto. Uma grande figura, e uma pessoa inesquecível.
Jamais poderemos esquecer daquilo que já passamos juntos durante esses anos. Eu, você, Sthephanie, Thamires e Melissa. Mais tarde Isis e Camilla. Não esqueceramos do cuspe que a Amanda deu numa menina do Fundamental. Do dia em que brigamos no banco e você me tirou sangue. Do dia em que a manga caiu em você misteriosamente. Do dia em que a Thayssa ficou com ciúmes do professor de educação física comigo! Das vezes em que você fugiu da Gabi, porque já estava de saco cheio de grêmio. Não poderemos esquecer do dia em que a Leila quase deu uma parte na gente porque estavamos do lado da sala dela matando aula. Nem mesmo do dia em que o Marcelo (matemática), nos mandou para o "curral!".
Mas sabe do que nem eu nem mesmo as meninas vão esquecer mesmo. De você. Sempre sincera a ponto de matar quando necessário. Sempre loucamente hilária. Da sua risada adoidada do msn. Do seu modo de ser, e da sua inteligencia. Você com certeza é uma das pessoas mais inteligentes e capacitadas que passaram por esse colégio e nem por isso deixou de ser maluca. Como todas nós, você estudava para as provas e nem sempre ia bem. Nada de perder a vida com uma vida de estudo desenfreado.
É por isso que você não vai sair do nosso hospício verdadeiramente. Você vai sempre estar lá de uma maneira ou de outra. Quando os armários forem implantados, nós lembraremos de você. Mas só se eles forem. (É brincadeira).
Bom, então desejoq ue você pegue muitos italianos. Esqueça essas pessoas escrotas da nossa sala. Lembre só da gente. Delete Wallace, Ana Cecília e Renato e aqueles mais que você quiser. A não ser que você se lembre de algum fora que tenha dado neles.
Mas sério. Sucesso. Seja feliz. Afinal, você pode tomar vinho por lá! Divirta-se moça. Enquanto isso aqui.........
Nós nos ferramos mesmo, mas não se preocupe, um dia a mesa vira.
Rsrsrrsrrsrsrs."
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Que estava sonhando um sonho sonhado
O sonho de um sonho
Magnetizado
As mentes abertas
Sem bicos calados
Juventude alerta
Os seres alados
Sonho meu
Eu sonhava que sonhava
Sonhei
Que eu era o rei que reinava como um ser comum
Era um por milhares, milhares por um
Como livres raios riscando os espaços
Transando o universo
Limpando os mormaços
Ai de mim
Ai de mim que mal sonhava
Na limpidez do espelho só vi coisas limpas
Como uma lua redonda brilhando nas grimpas
Um sorriso sem fúria, entre o réu e o juiz
A clemência e ternura por amor da clausura
A prisão sem tortura, inocência feliz
Ai meu Deus
Falso sonho que eu sonhava
Ai de mim
Eu sonhei que não sonhava
Mas sonhei"
Obrigada, Martinho.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Elefantes e Olga Benário.
Já me peguei por mais de uma vez fazendo o mesmo caminho esburacado coberto pelas pedras portuguesas, pensando o quão longe eu estaria delas dali a alguns meses. Hoje sei que são dias. Dias. Dias. Os dias passam e minhas lágrimas escorrem na mesma velocidade, tão silenciosas e cruéis quanto o tempo. Ninguém me vê. Provavelmente me julgariam infeliz de forma errada.
É só inevitável que se deixe de sentir medo. Gosto que ele exista, e principalmente que eu saiba de sua existência. Nunca deixei que ele embarreirasse meus objetivos. Nunca o reconheci como uma pedra no caminho. Ele se torna tão pequeno quando você o conhece!
Mas a culpa é de fato inevitável. Você pensa em todas as pessoas a quem vai deixar de ver e que provavelmente vão esquecer de você. E esquecer daquela pior maneira que existe. Esquecer dos laços que existem, que existiram. Medo do esquecimento, culpa pelo que deixou de fazer. Desespero pelos dias passando.
Hje eu já seguro na mão de todas as pessoas de forma diferente. Como que gravando em mim a memória daquela sensação. Guardando os seus cheiros, os seus trejeitos, pra que eu não esqueça. Acho que desde o dia em que me inscrevi nunca senti tanta angústia.
E, por favor... Não pense como dúvida ou medo de ir. Eu tenho certeza dos meus objetivos, mas me deixe lamentar em paz por todas as coisas que tenho de deixar aqui. E, acredite, elas são muitas. Você também as tem, só não percebe. Não vê.
Há pouco tempo li um livro que veio em hora certa até mim. E ele me faz pensar que talvez o que eu sinta seja algo como pré-morte (que besteira!). E eu não vejo a morte como algo ruim. É só uma mudança de estado, e 'mudança de estado' é exatamente o que estou prestes a sofrer.
Imagine que tudo isso aqui é só uma sala de espera. Uma sala de espera onde nós ficamos por tanto tempo que nos esquecemos de tudo o que tem lá fora. Eu vejo minha vida até hoje como uma sala de espera. Um dia essa espera termina e você tem de deixar o lugar. Eu tenho de deixar este lugar.
Vem então a insegurança. Você pensa em tudo o que conhece e nas amizades que fez ali, no quanto está seguro naquele lugar. Todo mundo teme o desconhecido. Principalmente quando viaja sozinha, como eu vou viajar. Mas você vai e vê um mundo com emoções bem mais fortes do que todas aquelas que você já vivera. E você o ama.
É assim que eu vejo a morte, como mais uma partida para o desconhecido. Minha vida daqui a doze dias está rumo ao desconhecido. E não, não vou morrer. Vou viver da forma mais intensa que se pode imaginar. E isso, sim, eu acho excitante.
Você deixa sua identidade, o respeito que você adiquiriu, e vai limpo. Quase em branco, apenas com aquilo que você realmente é, não com aquilo que deseja mostrar aos outros.
Não entenda o título.
domingo, 5 de julho de 2009
Fome.
Eu quero aprender novos idiomas e dar nó em mentes. Quero dar um nome a uma estrela. Quero sentir todas as musicas que puder, ler todos os bns livros ao meu alcance. Quero rir, rir muito. Provar muitos sabores, ter muitas histórias pra contar.
Quero correr muitos riscos - E rir na cara do perigo. Quero saber que tudo valeu a pena. Quero cometer erros e aprender com eles. Eu quero ser uma pessoa boa. Quero ser adimirada pela minha inteligência e ser objeto ao mesmo tempo. Quero tirar crianças das ruas, quero não tremer mais de indignação ao ver gente sem nada - E eu realmente tremo.
Quero cumprir tudo o que prometo. Quero armários na minha escola. Quero acabar com a falta de qualidade na Educação Pública. Quero dar oportunidades, quero ter orgulho de quem nem conheço. Quero ser madrinha de um casal gay se casando legalmente no meu país.
Quero viver pra crer, quero crer num mundo melhor pra sempre. Quero ver o amor sendo mais importante que mesquinharias. Quero conhecer pessoas fantásticas. Quero ver a poeira sideral muitas e muitas vezes.
Quero conseguir me apaixonar. Quero ver apenas qualidades em alguém por mais que um minuto. Quero, depois, achar os defeitos lindos. Quero ser correspondida e quero corresponder. Quero ver tudo além das imagens.
Quero lutar karate e ficar bêbada em Londres. Quero conversar com um Viking e quero assistir ao jornal quando descobrirem vida em outros planetas. Quero ser inspiração. Quero ser inspirada. Quero ser uma artista a vida inteira, mesmo que só eu enxegue possíveis talentos.
