Agora tudo o que sinto é uma mistura de tristeza, medo, desespero, culpa, medo novamente. Faltam doze dias.
Já me peguei por mais de uma vez fazendo o mesmo caminho esburacado coberto pelas pedras portuguesas, pensando o quão longe eu estaria delas dali a alguns meses. Hoje sei que são dias. Dias. Dias. Os dias passam e minhas lágrimas escorrem na mesma velocidade, tão silenciosas e cruéis quanto o tempo. Ninguém me vê. Provavelmente me julgariam infeliz de forma errada.
É só inevitável que se deixe de sentir medo. Gosto que ele exista, e principalmente que eu saiba de sua existência. Nunca deixei que ele embarreirasse meus objetivos. Nunca o reconheci como uma pedra no caminho. Ele se torna tão pequeno quando você o conhece!
Mas a culpa é de fato inevitável. Você pensa em todas as pessoas a quem vai deixar de ver e que provavelmente vão esquecer de você. E esquecer daquela pior maneira que existe. Esquecer dos laços que existem, que existiram. Medo do esquecimento, culpa pelo que deixou de fazer. Desespero pelos dias passando.
Hje eu já seguro na mão de todas as pessoas de forma diferente. Como que gravando em mim a memória daquela sensação. Guardando os seus cheiros, os seus trejeitos, pra que eu não esqueça. Acho que desde o dia em que me inscrevi nunca senti tanta angústia.
E, por favor... Não pense como dúvida ou medo de ir. Eu tenho certeza dos meus objetivos, mas me deixe lamentar em paz por todas as coisas que tenho de deixar aqui. E, acredite, elas são muitas. Você também as tem, só não percebe. Não vê.
Há pouco tempo li um livro que veio em hora certa até mim. E ele me faz pensar que talvez o que eu sinta seja algo como pré-morte (que besteira!). E eu não vejo a morte como algo ruim. É só uma mudança de estado, e 'mudança de estado' é exatamente o que estou prestes a sofrer.
Imagine que tudo isso aqui é só uma sala de espera. Uma sala de espera onde nós ficamos por tanto tempo que nos esquecemos de tudo o que tem lá fora. Eu vejo minha vida até hoje como uma sala de espera. Um dia essa espera termina e você tem de deixar o lugar. Eu tenho de deixar este lugar.
Vem então a insegurança. Você pensa em tudo o que conhece e nas amizades que fez ali, no quanto está seguro naquele lugar. Todo mundo teme o desconhecido. Principalmente quando viaja sozinha, como eu vou viajar. Mas você vai e vê um mundo com emoções bem mais fortes do que todas aquelas que você já vivera. E você o ama.
É assim que eu vejo a morte, como mais uma partida para o desconhecido. Minha vida daqui a doze dias está rumo ao desconhecido. E não, não vou morrer. Vou viver da forma mais intensa que se pode imaginar. E isso, sim, eu acho excitante.
Você deixa sua identidade, o respeito que você adiquiriu, e vai limpo. Quase em branco, apenas com aquilo que você realmente é, não com aquilo que deseja mostrar aos outros.
Não entenda o título.
Já me peguei por mais de uma vez fazendo o mesmo caminho esburacado coberto pelas pedras portuguesas, pensando o quão longe eu estaria delas dali a alguns meses. Hoje sei que são dias. Dias. Dias. Os dias passam e minhas lágrimas escorrem na mesma velocidade, tão silenciosas e cruéis quanto o tempo. Ninguém me vê. Provavelmente me julgariam infeliz de forma errada.
É só inevitável que se deixe de sentir medo. Gosto que ele exista, e principalmente que eu saiba de sua existência. Nunca deixei que ele embarreirasse meus objetivos. Nunca o reconheci como uma pedra no caminho. Ele se torna tão pequeno quando você o conhece!
Mas a culpa é de fato inevitável. Você pensa em todas as pessoas a quem vai deixar de ver e que provavelmente vão esquecer de você. E esquecer daquela pior maneira que existe. Esquecer dos laços que existem, que existiram. Medo do esquecimento, culpa pelo que deixou de fazer. Desespero pelos dias passando.
Hje eu já seguro na mão de todas as pessoas de forma diferente. Como que gravando em mim a memória daquela sensação. Guardando os seus cheiros, os seus trejeitos, pra que eu não esqueça. Acho que desde o dia em que me inscrevi nunca senti tanta angústia.
E, por favor... Não pense como dúvida ou medo de ir. Eu tenho certeza dos meus objetivos, mas me deixe lamentar em paz por todas as coisas que tenho de deixar aqui. E, acredite, elas são muitas. Você também as tem, só não percebe. Não vê.
Há pouco tempo li um livro que veio em hora certa até mim. E ele me faz pensar que talvez o que eu sinta seja algo como pré-morte (que besteira!). E eu não vejo a morte como algo ruim. É só uma mudança de estado, e 'mudança de estado' é exatamente o que estou prestes a sofrer.
Imagine que tudo isso aqui é só uma sala de espera. Uma sala de espera onde nós ficamos por tanto tempo que nos esquecemos de tudo o que tem lá fora. Eu vejo minha vida até hoje como uma sala de espera. Um dia essa espera termina e você tem de deixar o lugar. Eu tenho de deixar este lugar.
Vem então a insegurança. Você pensa em tudo o que conhece e nas amizades que fez ali, no quanto está seguro naquele lugar. Todo mundo teme o desconhecido. Principalmente quando viaja sozinha, como eu vou viajar. Mas você vai e vê um mundo com emoções bem mais fortes do que todas aquelas que você já vivera. E você o ama.
É assim que eu vejo a morte, como mais uma partida para o desconhecido. Minha vida daqui a doze dias está rumo ao desconhecido. E não, não vou morrer. Vou viver da forma mais intensa que se pode imaginar. E isso, sim, eu acho excitante.
Você deixa sua identidade, o respeito que você adiquiriu, e vai limpo. Quase em branco, apenas com aquilo que você realmente é, não com aquilo que deseja mostrar aos outros.
Não entenda o título.

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