Quando eu era pequena, tinha a sensação de que nada no mundo me era necessário, além de uma mãe, água e comida. E tudo isso eu tinha.
Naqueles tempos não tão distantes - mas que agora me soam remotos, eu também tinha o costume de observar o vôo das borboletas. As acrobacias aéreas, a forma frenética do bater das asas. Eram encantadoras.
Já as lagartas, não. Sempre me provocaram repulsa imensa. A suposta maldade que transformava as folhas das plantas de minha avó em verdadeiras peneiras naturais, e o rastejar infinito - aquilo me provocava horror.
Eu me sentia uma lagarta. Mas não sei estabelecer ao certo o momento em que subi o primeiro degrau da minha escalada em desespero rumo às acrobacias aéreas. Antes dois dias fora do casulo que a eternidade sem conhecer a melhora e o progresso próprios.
O que realmente sei é que, quando uma lagarta como eu percorre por completo cada exaustivo centímetro do degrau ela não pode simplesmente manter-se parada ali. Ela continua a rastejar insistentemete à procura do lugar ideal para se fixar e formar seu casulo.
Inútil, talvez. Porém algo relacionado ao instinto natural, não à racionalidade. Quando você alcança um degrau, anseia desesperadamente pelo próximo.
Talvez seja o momento típico de quando você já subiu todos os degraus possíveis, e o último deles esteja bem próximo a um precipício.
Talvez seja o castigo de todos os ambiciosos.
Talvez a inquietude dos aventureiros.
Talvez resultado de uma péssima semana de início de ano letivo. Eu não sei quem falou sobre o Ensino Médio ser um inferno, mas, sem dúvida alguma, foi alguém bastante sincero.

Nenhum comentário:
Postar um comentário