quinta-feira, 28 de maio de 2009

Cinderela no país das maravilhas.

-
Cinderela naquele dia estava encantada - muito mais encantada que encantadora. Todas as músicas soavam como aplausos aos seus ouvidos, e seu vestido de baile estava mais engomado que nunca - perdendo apenas para o ego da moça.
-
Cinderela sempre vivera no país das maravilhas, mesmo que estivesse longe de tudo que pudessem chamar de maravilhoso algum dia.
-
Cinderela sempre quisera partir. E agora era a hora. E agora ela estava feliz. Saltitante. Risonha. Histérica. Desesperada.
-
Cinderela sabia, ou ela devia ao menos saber, que seus risos e saltos similares aos de balé eram em verdade seus sentimentos exprimindo a necessidade e transpirar. Transpirar a todo segundo, transpirar para absorver as informações. Transpirar para absorver.
-
Cinderela, porém, estava em seu vestido de baile - nascera com ele! E seu vestido de baile não a deixava transpirar. Nunca fora nua. Crua? Nunca fora.
-
Cinderela não podia transpirar. Então chorou. Chorou por motivo nenhum e por muitos.
-
Chorou porque as pessoas, ah! Estas não podem ser carregadas nas malas como objetos. Pessoas não podem ser guardadas em pequenas caixas ou sequer em grandes cofres. Elas apenas iriam continuar a viver no antro que ela sempre rejeitara.
-
Cinderela chorou porque pessoas não continuariam as mesmas - nem ela própria. Cinderela sorriu largamente pelo mesmo motivo.
-
Cinderela cansara-se de ser chamada assim. Então desceu do salto.
-
Its Cinderella sweeping up on desolation row.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Nem lê.