domingo, 24 de maio de 2009

Sobre ser instável.

Prática leva à perfeição. Mas ver a mim de outro plano não poderia ser perfeito nem em cem anos.

Se ontem eu a via como um preto branco exterior irradiando inúmeras cores, hoje vejo só preto e branco. Um preto e branco adolescente que sabe apenas ser egoísta.

Pior que egoísta, um preto e branco que é simplesmente covarde. Covardia no esconder de sorrisos, covardia no lembrar dos sorrisos sinceros. Quanta bobagem. Quantos sorrisos já lhe foram a mais pura expressão da felicidade? Quantos sorrisos foram deveras sinceros? Quantos deles já não lhe escaparam sem nem que precisasse raciocinar, justamente porque estava feliz?

Felicidade em coisas tolas, mas que não chegavam nem aos pés da tolice que tomava conta do seu humor ranzinza e incolor. Na batida da música boa que escutava. Felicidade na companhia que a compreendia perfeitamente. São tão poucas as pessoas.

Talvez ela não tenha sorrido porque não pôde aperceber-se do quão sortuda era. Agora que as cores se haviam ido, eu podia, de fato, ver quem estava à sua volta. E todas aquelas pessoas, hoje, têm mais cores que ela.

Azul, amarelo. Ainda que egoísta era cheia de amigos. Por que não dar-lhes a chance de saber o quanto ela os amava?

Por essas e outras, o título oscilou entre 'Sobre como ser egoísta', ou 'Sobre como ser tolo'. Mas optei somente por instável.

Instabilidade do observador e da observada. Misturei-me a ela.

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