
Lembro-me de ter lido em algum lugar que para o artista, todo ausentar de seu país, mesmo que voluntário, é um exílio.
Considero-me artista e considero que estou sendo voluntária ao exílio. Na esperança de ter uma visão distanciada sobre meu mundo, sobre minha gente, sobre mim, e de fazer bons textos. Um diário de viagem, quem sabe?
O fato é que já sinto o sofrimento de saber que as aves gorjeiam de forma diferente nesse lugar que tantas vezes amaldiçoei pelo calor constante. E já me sinto muito mais brasileira, enfurecidamente brasileira. Sinto as vibrações em cada sílaba da palavra e em cada milímetro do meu existir. Já sinto amor ao andar nas ruas, sejam elas quais forem, simplesmente pelo fato de que pode ser uma despedida.
Sou amante das despedidas, as saboreio como todos deveriam fazer. As despedidas voluntárias, que antecedem o partir com gosto, o partir pro desconhecido. Melhor, pior? Quem sabe? Preciso partir.
E então me pego sendo absurdamente brasileira. Mais brasileira que jamais fui. Torcendo, lamentando, rindo, xingando o juiz. Fui brasileira num volume bem alto - Volume que toda a minha vizinhança jamais alcançara em qualquer jogo do flamengo em final de capeonato.
Por que? Eu definitivamente não sei. Vibrar foi apenas uma necessidade.
Eis que vejo a figura, entre os meus contatos de msn, tocendo pro time do país adversário. E justo [i]aquele[/i] país! Alvo do meu ódio extremista-anti-imperialista-pré-adolescente. Pior que isso. Foi demasiado triste ver que alguém tem tão pouco orgulho do próprio país.
Um país lindo, com uma gente diferente de qualqer outra que se possa encontrar por aí. Um povo quase onipresente, fácil, afável. Que sorri com os lábios e com os olhos. Possuidores de alma que se deixa ser vista. De garra e força que não se pode ver - se sente. Gente com a capacidade de erguer a cabeça a partir de qualquer que seja a situação e seguir em frente. Uma gente que não se restringe a samba, mulher, carnaval, praia e futebol. A espécie humana que deveria ser vista, em verdade, como a imagem do futuro. Uma só, unidade. Sem distinções.
Problemas? Temos um monte, e provavelmente já falei sobre um monte deles aqui e em outros lugares. Mas como resolvê-los sem um amor imenso pelo meu país? Como querer ver tudo isso melhor, sem sentir um puta orgulho de ter nascido aqui?
Seja brasileiro. Seja brasileiro nascendo ou não aqui. Tenha orgulho, porra.

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