Naquele dia a já tão conhecida 'tabuada' ao final do hino do colégio foi entoada apenas em nossas mentes, e apenas as palmas repetitivas foram capazes de ser ouvidas. Vozes não seriam capazes de sair das centenas de esconderijos, todos ali, juntos no pátio como em tantos outros intervalos.
As palmas poderiam ser ouvidas por séculos. Por milhares de quilômetros. Palmas para agradecer as tantas risadas que nos fizeram sorrir também, para agradecer às piadas, para agradecer por ter estado conosco e ter-nos dado a oportunidade de conhecer um ser humano sem igual. Palmas para que os soluços doloridos da perda não fossem escutados. Palmas de indignação, palmas de vergonha, palmas de solidariedade e companheirismo.
Assim é um aluno de verdade, ao meu ver. A maioria de nós não havia sido seu íntimo, ou sequer desenvolvido cinco minutos de diálogo. Mas ela é uma de nós, e sempre será.
Nós temos, sim, orgulho de ser todos companheiros em nosso colégio, mesmo que este não consiga ser maior que a vergonha, por conta de tanto descaso. Vergonha por ver a dor de sua mãe, por saber que nos hospitais da nossa cidade morrem milhares de meninas de 13 anos por dia que deixam apenas a lembrança dos seus sorrisos.
Daí então as mesquinhas rivalidades são de fato esquecidas, daí então nós vemos que precisamos,r ealmente,e star todos juntos. Precisamos estar juntos porque, como uma certa segunda mãe bem disse, só a gente pode fazer essa carnificina diária acabar. Só nós podemos de fato mudar o mundo, ou fazer pelo menos que nele haja mais amor, ou mais sorrisos. Mais risadas.
Que o mundo se acabe, sim. numa explosão de alegria, porque era exatamente isso o que ela nos ensinava sem perceber, a cada dia.
Eram 16:00 h no nosso pátio central.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário