De repente fazem com que você se sinta cansada.
Você tem de ser inteligente. Você tem de ser bonita. Você tem de ser simpática, e, oh, você te de ser mais receptiva aos garotos. Que tal tirar essa expressão agressiva do rosto, que tal não transparecer tanta independência? Você tem de fazer as unhas, você tem de se adequar.
Você tem de tirar as melhores notas, você tem de publicar um livro. Você tem de ter sucesso, você tem de se preparar para o mercado de trabalho. Você tem de saber que poucos são amigos de verdade, você tem de saber mentir. Você tem e saber omitir.
Você tem de se importar com o que os outros pensam, você tem de ser mais reservada. Você tem de ser bem relacionada com o diretor, você tem de ser bem relacionada com os professores. Você tem de ser dedicada à família, você tem de conversar conosco.
Você tem de ser boa filha. Boa irmã. Você tem de ter cabelos bonitos, pele sedosa, você tem de combinar inteligência, arrogância e meiguisse. Você tem de se preocupar em construir uma boa imagem.
Você tem de desconfiar dos seus amigos, você tem de mudar algumas idéias. Você tem de mudar suas atitudes. Você tem de mudar o que escreve, o que pensa, o que fala, o que enxerga.
Você tem de mudar quem você é.
Esqueceram de me perguntar se eu tenho andado feliz. Se eu tenho sentido, ultimamente, o vento bater no rosto e esboçado um sorriso apenas por esse motivo. Esqueceram de que talvez ter uma visão tão amargurada do mundo aos 17 anos seja deveras ruim.
Se preocuparam tanto, tanto em buscar a verdade nos meus olhos. Esqueceram de perceber a simplicidade daquilo que ele lhes dizia.
Porque o mundo gira, e parece ser tão repetitivo quanto minhas palavras nas últimas linhas. Tão cansativo quanto eu me mostro. Tão cansado quanto eu estou. Porque às vezes eu queria que a vida congelasse. Numa fotografia.
domingo, 21 de setembro de 2008
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