Já se passaram alguns dias e a idéia não se retirava dos meus pensamentos. Onde é que eu morava?
Talvez seja importante, antes de qualquer resposta, ressaltar que tal prgunta me é bastante comum, e não me indague o porquê. Pode ser que minha aparência ou jeitodeclare, instantaneamente, a minha origem longíqua.
O verdadeiro problema é que, todas as vezes em que tal indagação me chegava aos ouvidos, a única coisa a me atingir era uma imensa e desconcertante falta de jeito. O que eu deveria alegar, afinal?
Se você mora na Tijuca, oh, fica bastante fácil que entendam isso, quando você diz. Caso você diga que mora em algum bairro da zona sul, a mesma coisa. Mas meu lugar fica entre dois bairros que pouca almas, no Rio de Janeiro, conhecem. Eu moro quase em Santa Cruz, Quase em Paciência.
Seu nome? Bem, seu nome é um quase nome, desde a essência. Quem de nós pediu para que nossa estação de trem fosse nomeada com a graça de um senhor que fora quase presidente? O único presidenteque morrera antes mesmo de exercer tal cargo.
É por essa realidade que nós, habitantes de Tancredo Neves, ns vemos cercados. Quando nos perguntam onde moramos, não sabemos o que responder, uma vez que qualquer resposta possível será, sem dúvida, seguida de uma explicação geográfica sobre sua localização.
O lugar onde aqueles que o ocupam encontram-se num quase analfabetismo, os levando, por sua vez, a uma quase miséria. Miséria que a gente leva nas coxas, empurrando com a barriga.
Lá, as meninas são mães quando são quase crianças, os meninos desde cedo adiquirem malícia quase adulta.
Somos quase filhos, de uma Pátria Mãe quase gentil, que quase nos reconhece como seus. Somos quase cidadãos.
Eu moro num lugar que é representado nos mapas com uma grande mancha verde: área inabitada.
sábado, 20 de setembro de 2008
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