sábado, 22 de novembro de 2008

12 de Junho de 1929.


Eis que me deparo com outra pergunta capiciosa:

"Eu li seu blog. Por que "Anneliese Marie"?"

Pois bem, vamos ao alterego.

Eu ainda posso me lembrar de quando terminei de ler o livro. O uniforme do colégio no corpo, meu pai ao lado, naquela época distante em que ainda precisava que me levassem ao colégio. A capa traseira do livro fechou-se num estalido, e eu apenas murmurava algumas palavras. Por Deus, nós estávamos no trem e eu simplesmente não poderia chorar ali. Mas as palavras ainda ficavam em minha mente.

Eu lembrava de todas as frases de esperança, que me faziam sentir esperança inflada no peito ocnforme as lia. Eu ainda lembrava das pequenas felicidades, dos estudos de francês, e dos anti-depressivos. Mas um eco insistente em minha cabeça não deixava-me livre. "... Morreu de tifo no campo de Bergen-Belsen."

Eu olhava pela janela, e meu pai dizia "... O futuro está por trás da montanha e é desconhecido...", mas não me importava nada sobre o passado já estar longe. Eu estava nele, estava inserida, e havia sido projetada com um soco na barriga para o presente novamente.

Talvez por inocência eu não tivesse sequer cogitado tal possibilidade, ou pelo fato de que viver aquela morte fora algo forte demais. Como morrer junto, uma vez que ue havia acompanhado toda uma vida. Eu havia me tornado uma nova pessoa, havia adimitido novas formas de pensar.

Eu vivia junto de todo aquele ambiente que futuramente seria de morte. Os retratos de artistas de Hollywood colados às paredes, a tão disputada escrivaninha. A luz do sol que não tocara sua pele.

Foi por causa do livro escrito que passei a observar de uma forma diferente de qualquer outra pessoa as nuvens, fazendo-se e desfazendo-se em seus dezenhos num infinito desconhecido.

Quando eu tinha 13 anos, aprendi a ver que tudo o que o mundo precisa é amor. O amor é de fato o argumento mais forte, que se sobrepõe a qualquer um. Ler o Seu diário foi como redescobrir a mim mesma, como relembrar de antigos valores que havia esquecido.

E hoje, quando me perguntam o porquê de comprar brigas alheias, quando me perguntam o porquê de defender de forma tão árdua às minorias e classes mais desfavorecidas, mesmo que eu não faça parte de nenhuma delas, uma grande indignação cresce dentro de mim.

Eu poderia dizer que ser a defensora dos fracos e oprimidos dá bastante ibope, ou algo do tipo. Mas ELES, eles não são fracos. Aqueles que eu defendo com toda a minha alma são os mais fortes que conheço, e apenas faço isso porque eu vivi ao lado Dela, e aprendi junto, também.

É por isso, André, que eu dou a cara a tapa. Porque o meu argumento é o mais forte, inexorável e indiscutível.

Eu conheci à mim mesma, e à Anneliese Marie Frank.

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