quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Ensaio sobre bolas de fogo gigantes.

por Eduarda Lira

- Imagina só como deve ser uma estrela vista de perto... - Gerard ensaiou, permitindo-se um brilhar de olhos, direcionados ao manto estrelado acima das duas sombras que encontravam-se deitadas sobre a relva.

- Deve ser uma bola de fogo gigante. - O menor cortou com o já muito comum mau humor e sarcasmo. Talvez fosse simplesmente pelo prazer de mostrar que estava acima de qualquer romantismo meramente humano. Como se ele não se encantasse inteiramente ao ver o maior falar daquela forma. Era adorável.

- Mas quando ela morre, perde o brilho e resfria... - Gerard já havia aprendido a ignorar o ar seco do companheiro, sem interromper suas conjecturas sobre o espaço que tinham tanto prazer em observar.

- Aí vira uma pedra gigante. - Frank não pôde deixar de escapar um esboço de sorriso pela oportunidade de deboche que lhe fora dada.

- Não, vira uma anã negra! - O mais pálido exclamou num risinho infantil, enquanto virava o corpo para Frank, que, já esquecido das estrelas há tempos, o recebeu com muito quentes braços.

É claro que Frank não havia entendido a possível piada, mas de que importava? O tinha junto de si agora. Envolveram-se num demorado abraço, como já era de costume.

Então o rapaz de olhos claros pensara que as mais belas coisas talvez fossem mais bonitas de ser observadas a distância. Somente aquele que mantinha junto de seu corpo era uma exceção. Queria-lhe perto.

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